De volta ao JCC
- Eliseu Elias Matioli

- 15 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Ontem tive a alegria de voltar a um lugar que ocupa um espaço muito especial na minha história: o Grupo Jovens com Cristo (JCC), da Paróquia São Benedito, em Itápolis.
Foi ali, em 2015, que participei do meu EJCC (Encontro de Jovens com Cristo), uma experiência que marcou profundamente minha caminhada de fé.
Anos depois, retornar ao mesmo grupo, desta vez como pregador, foi uma experiência de grande emoção e, ao mesmo tempo, de enorme responsabilidade.
A oportunidade de falar com aqueles jovens me fez perceber como a vida dá voltas.
Em determinado momento, somos nós que estamos sentados, ouvindo, aprendendo e tentando compreender melhor nossa fé. Anos depois, podemos estar do outro lado, compartilhando com outras pessoas aquilo que também um dia recebemos.
É uma sensação muito bonita perceber que aquilo que nos foi transmitido pode continuar sendo multiplicado por meio de nós.
Uma reflexão sobre Maria e o povo fiel
Na ocasião, compartilhei com os jovens uma reflexão a partir do documento “Mater Populi Fidelis” (Mãe do Povo Fiel), nota doutrinal publicada em novembro de 2025 pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, dedicada a orientar a Igreja sobre a devoção mariana.
Falar sobre Maria é sempre uma responsabilidade especial. Não apenas pela importância que ela ocupa na fé católica, mas porque a devoção mariana precisa nos conduzir a uma compreensão cada vez mais profunda de seu papel na história da salvação e de sua presença junto ao povo fiel.
Mais do que simplesmente apresentar um documento, a proposta foi proporcionar aos jovens um momento de reflexão e aprofundamento da fé, ajudando-os a compreender melhor a presença de Maria na vida da Igreja e na caminhada daqueles que procuram seguir a Cristo.
Quando ensinar também significa recordar
Talvez uma das partes mais marcantes daquela experiência tenha sido olhar para aqueles jovens e, de alguma maneira, lembrar de mim mesmo.
Em 2015, eu estava entre aqueles que buscavam respostas, descobriam novas dimensões da fé e vivenciavam uma experiência que acabaria deixando marcas importantes na minha vida. Em 2025, dez anos depois, estava diante de outros jovens, agora com a responsabilidade de contribuir para a formação deles.
Essa inversão de papéis me fez compreender algo que considero muito bonito na vida da Igreja: aquilo que recebemos não precisa terminar em nós. Podemos guardar, amadurecer e, no momento certo, transmitir novamente.
Foi uma alegria poder voltar às origens da minha caminhada e, de alguma forma, retribuir aquilo que um dia recebi com tanto carinho.
A fé que continua sendo construída
Ver aqueles jovens atentos e interessados em conhecer mais sobre a fé foi uma experiência que levarei comigo. Em um mundo marcado por tantas mudanças, dúvidas e distrações, encontrar jovens dispostos a parar, ouvir, refletir e buscar compreender melhor aquilo em que acreditam é algo que merece ser valorizado.
Para mim, estar ali não significou apenas ministrar uma palestra. Significou reencontrar uma parte importante da minha própria história e perceber que a caminhada iniciada naquele grupo continua produzindo frutos.
O JCC fez parte da formação de quem sou hoje. Voltar como pregador foi, portanto, muito mais do que retornar a um lugar conhecido: foi uma oportunidade de testemunhar que as experiências que vivemos podem continuar nos acompanhando e, com o tempo, também podem se transformar em instrumentos para ajudar outras pessoas.
Saí daquele encontro com o coração cheio de gratidão. Gratidão por tudo aquilo que vivi, pelas pessoas que contribuíram para minha caminhada e pela oportunidade de, agora, poder compartilhar um pouco do que também aprendi ao longo desses anos.
A Mãe do Povo Fiel caminha conosco!



