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Voto, Estado e comércio

5 de out.
5 min de leitura
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Transmissão especial de apuração do primeiro turno das Eleições 2026

No domingo, 4 de outubro, participei da transmissão especial de apuração do primeiro turno das Eleições 2026, realizada pelo Grupo ItaCast em conjunto com a Primeira FM 99,9 e a World Net Play. A data marcou oficialmente o primeiro turno das eleições gerais deste ano.


Ao longo da transmissão, entre os números que chegavam das urnas e as análises do resultado, a conversa com os jornalistas Flávio Morais, Edson Júnior e William Carlos passou por assuntos que considero importantes e sobre os quais nem sempre temos espaço para falar com calma.


Falamos sobre como escolho meus candidatos a deputado, representação regional, voto distrital, emendas parlamentares, tamanho da máquina pública e a situação do comércio. Foram opiniões pessoais, construídas a partir da maneira como enxergo a política, o empreendedorismo e também a realidade de Itápolis.


Como formulo meu voto


Em determinado momento, Flávio me perguntou o que eu acreditava que o eleitor de Itápolis levava em consideração para escolher seus deputados.


Preferi não responder pelo eleitor.


Não considero correto tentar colocar milhares de pessoas dentro de uma única lógica. Por isso, expliquei como eu mesmo faço meu dever de casa para definir esses votos.


Parto da ideia de que a função de um deputado não deveria ser medida principalmente pela quantidade de dinheiro que ele consegue enviar para um município. Evidentemente, reconheço a importância das emendas parlamentares. Recursos destinados a Itápolis podem viabilizar obras, equipamentos, serviços e investimentos necessários.


O problema surge quando isso passa a ser o principal critério de escolha.


Durante o programa usei uma expressão forte, dizendo que muitas vezes acabamos convivendo com uma espécie de “compra de votos institucionalizada”. Minha crítica foi direcionada à dependência política que pode surgir quando a relação entre determinadas lideranças locais e parlamentares passa a girar em torno da quantidade de votos que uma cidade entrega em troca da expectativa de novos recursos.


Não acredito que essa deva ser a base da representação política.


Para deputado federal, costumo observar com bastante atenção as ideias e os projetos estruturais defendidos pelo candidato. Questões como reformas políticas, eleitorais e administrativas passam pelo Congresso Nacional, e considero importante saber o que aquela pessoa pensa sobre esses temas.


Para deputado estadual, acrescento outro elemento: conhecer São Paulo.


Disse durante a transmissão que, se alguém pretende pedir votos em Itápolis, deveria pelo menos saber apontar no mapa onde fica nossa cidade. Parece uma frase simples, mas ela resume uma cobrança que considero legítima. Quero saber se aquele representante conhece o interior e compreende minimamente as regiões das quais pretende receber votos.


Reconhecer a importância das verbas não significa fazer delas o primeiro critério da minha escolha.


Representação com endereço


Essa discussão se conectou diretamente com outro assunto que abordei durante a transmissão: minha defesa de uma discussão séria sobre o voto distrital.


Hoje, deputados federais e estaduais são eleitos pelo sistema proporcional. Portanto, adotar um sistema distrital significaria mudar o modelo atualmente utilizado nessas eleições.


Durante a série de entrevistas eleitorais que realizamos no ItaCast, buscamos receber candidatos ligados a diferentes cidades da nossa região. E uma das razões que me levaram a considerar isso importante foi exatamente a questão da representatividade.


Eu acredito no valor de termos representantes que conheçam o território que pretendem representar.


Durante o programa usei uma expressão que traduz bem o que penso: gostaria de representantes que tenham “o cheiro da nossa região”.


Gente que conheça nossas cidades, saiba quais são nossos problemas, possa ser encontrada e que tenha uma relação menos distante com aqueles que representa.


Não gosto da ideia de escolher alguém que aparece durante o período eleitoral, pede votos no interior e depois se torna praticamente inacessível.


Foi também com esse pensamento que conduzimos as entrevistas no ItaCast. Queríamos ouvir pessoas da região, conhecer suas propostas e permitir que o público tivesse contato direto com elas.


Na minha visão, proximidade também aumenta a capacidade de cobrança. É diferente cobrar alguém que conhece nossas cidades, circula por aqui e mantém vínculos com a região.


O peso da máquina pública


A conversa também chegou à economia e ao comércio, especialmente quando William e Flávio trouxeram para o debate as dificuldades enfrentadas por empresas e consumidores.


Nesse momento fui bastante direto.


Tenho preocupação com uma máquina pública que gasta muito e cujo custo acaba chegando ao bolso de quem trabalha, produz, emprega e consome.


Usei uma comparação que qualquer família conhece. Se uma casa recebe determinado valor durante o mês, aquela família sabe que não pode transformar gastos permanentemente superiores à renda em algo normal. Na minha visão, o poder público também precisa fazer esse dever de casa.


Defendo controle de despesas e revisão de gastos antes de simplesmente buscar novas formas de arrecadar.


Foi nesse contexto que critiquei aquilo que considero despesas desnecessárias e disse que o Estado precisa fazer o básico bem feito. Quando a conta não fecha, alguém paga. E esse alguém quase sempre está na outra ponta, seja como contribuinte, consumidor ou empresário.


Essa discussão acabou nos levando para a realidade do comércio de Itápolis.


Eu apresentei três fatores que considero relevantes para compreender o momento atual.


O primeiro é econômico. Temos um cenário mais amplo que afeta consumo, crédito e capacidade de compra. Não considero correto colocar toda essa responsabilidade sobre o comércio local ou sobre uma administração municipal específica.


O segundo está dentro das próprias empresas.


O concorrente de uma loja deixou de ser apenas o estabelecimento do outro lado da rua. Hoje existe Mercado Livre, marketplaces, comércio eletrônico, produtos importados e uma facilidade enorme para comprar pelo celular.


Isso exige atualização.


Ao mesmo tempo, não acredito que o comércio físico esteja condenado. Atendimento, relacionamento com o cliente, pós-venda e experiência continuam tendo enorme valor. Muitas pessoas aceitam inclusive pagar um pouco mais quando percebem diferença na maneira como são atendidas.


O terceiro ponto é muito particular de Itápolis: o custo dos imóveis comerciais.


Temos diversos imóveis fechados no centro e, ao mesmo tempo, valores de aluguel que considero incompatíveis com a realidade econômica de muitos pequenos negócios. Durante a conversa, citei exemplos de grandes espaços que permanecem ou permaneceram vazios e falei sobre uma especulação imobiliária que, na minha avaliação, também ajuda a explicar tantas placas de aluguel espalhadas pela região central.


Portanto, quando analiso as dificuldades do comércio, não encontro um único culpado.


Existe o cenário econômico. Existe o peso do Estado. Existe a concorrência da internet. Existem problemas locais no mercado imobiliário. E existe também a responsabilidade do próprio empresário de acompanhar as mudanças do consumidor.


Cobrar eficiência do poder público não me impede de cobrar atualização das empresas.

O básico bem feito vale para os dois.


Participar daquela transmissão acabou me permitindo expor um pouco melhor posições que normalmente aparecem separadas.


Quando penso meu voto, procuro olhar para aquilo que o representante pretende fazer com o mandato e não apenas para quanto dinheiro poderá enviar para a cidade. Quando penso representação, acredito que proximidade territorial facilita conhecimento e cobrança. E quando olho para a economia, não considero razoável exigir cada vez mais de quem produz sem discutir também quanto custa e como funciona a estrutura pública.


Isso não significa que eu tenha respostas definitivas para todos esses problemas.


Também não espero que todos concordem comigo.


Mas considero saudável saber quais critérios orientam aquilo que defendemos e estar disposto a colocá-los em discussão.


Foi isso que procurei fazer durante a apuração: acompanhar os números das urnas, mas também aproveitar aquele espaço para falar sobre as ideias que, para mim, estão por trás deles.

 
 
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