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Um novo conceito de liberdade

Uma nova face em tentar ser livre


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Jean Léon Gérôme - Diogenes

Hoje pela manhã me deparei com uma reflexão nova sobre a visão de "ser livre".


Aqui mesmo já escrevi sobre o assunto, sobre a liberdade imprimida em nós através do livre arbítrio e sobre as consequências da liberdade em sim.


Porém, nunca vi a liberdade da forma como me deparei no decorrer desde dia que vos escrevo.


Pensar que a liberdade se trata de apenas dizer o que se pensa, o que se quer, o que se sonha, é um erro!


Liberdade de eleger seus líderes, escolher sua fé, de escolher quem você ama ou com quem deseja passar o resto de sua vida. Ou ainda escolher passar o resto da vida com várias pessoas de gênero oposto ou não ao seu.


Poder escolher onde se trabalha, onde se mora, escolher ter filhos ou pets, escolher onde comprar e gastar seus ganhos, escolher livremente se vive ou se morre.


Hoje pude ver o mundo de uma forma que talvez seja mais próxima a forma como os cínicos viam. Como o próprio Diógenes de Sinope provavelmente via.


Este cínico que esteve no mundo de forma passageira, contemporâneo a Alexandre, o grande (século V a.C.).


A pintura que acompanha essa reflexão retrata-o em sua forma de viver os dias de sua vida.


Sem apego, sem fé nos homens, sem precisar das coisas desse mundo para saciar-se.


Hoje entendi a Diógenes!

Poder viver livremente vai muito além de tudo que disse antes. Vai além verdadeiramente, a ponto de transcender cada uma das decisões vazias que podemos ter nesta terra.


Poder dizer "sou livre" está muito mais ligado a si mesmo do que com as coisas exteriores.


Pego como exemplo os próprios apóstolos de Cristo, ou ainda muitos estoicos como Sêneca que provou do poder próximo ao império e também do solitário exílio.


Esses homens não se importavam com as coisas fora de seu alcance. Não se dobravam diante de pessoas como eles próprios.


Eles puderam provar de algo viciante.


Algo que nem o cárcere ou exílio, nem a solidão ou mesmo a morte pode afugentar ou fazer temer.

Estes célebres homens provaram da liberdade em sua essência. Cada um a sua maneira, de formas diferentes e muitas vezes muito distantes umas das outras, mas a provaram e se encantaram a ponto de não viverem mais sem tê-la ao lado como fiel companheira.


Vejo a liberdade como uma mulher que em uma noite escura se ajoelha a seu lado, misericordiosamente, e desamarra suas mãos e pés das correntes da caverna, não contente, ainda tira as travas dos teus olhos e te faz voltar a viver como uma criança.


Não de forma irresponsável ou sem preocupações, mas sim de forma pura e literalmente livre, sem um julgo pesado aos ombros.


Essa mulher te faz ver e entender que, todas essas correntes que se seguravam eram as coisas deste mundo, que no final de tudo tornar-se-ão pó!


Tirando as traves da vista, ela faz com que você veja que o que te segava era sua própria arrogância e seu desejo por um poder vão, que uma morte, tão certa e natural, seria capaz de tirar-lhe.


Livre é o homem que não se apega as coisas daqui!

Feliz deste que pode provar da liberdade em sua essência e desprender-se de cargos, títulos, familiares, amigos, roupas, joias, dinheiro.


Veja! Existe um santo na Igreja Católica que nos foi um bom exemplo desta liberdade plena.


São Filipe Neri era padre, por duas vezes foi convidado a integrar o Colégio Cardinalício, tornando-se assim um cardeal da Igreja, porém ele negou esse convite da primeira vez de forma sutil.


No segundo convite que ele recebeu do papa da época, ele teve uma resposta fortíssima, que pôde provar esse sentimento de liberdade que ele tinha.


"Eu prefiro o paraíso!"

Para a fé que ele carregava, isso significava que, para ele, esse cargo, um dos mais altos da Igreja, era banal, ele preferia viver sua vida sem cargos ou título e buscar assim a Redenção Eterna ao lado de Cristo.


Quem dera vivêssemos em um mundo com mais homens como Diógenes, Sêneca, Filipe Neri e mesmo os apóstolos, que preferiam perder a vida e se ver em cárcere a ir contra seus ideais e seus preceitos de vida.


Hoje nos vendemos por dinheiro, sexo, honrarias e poder. Muitas vezes por coisas mais banais ainda.


Continuo agora em busca dessa liberdade saborosa e viciante, que faz de um homem comum, grandioso em caráter e integridade.


Faz com que um homem possa se tornar guardião da sua verdade e das suas ideias, desprendido das coisas passageiras do mundo e apegado apenas a suas certezas de vida.


Que possamos um dia todos encontrarmo-nos com essa mulher que há de nos desacorrentar.

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