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Pensamentos

É preciso continuar em frente!


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Pintura de George Edgar Hicks


Querido leitor, não sei o que você passou em sua vida, não quem é você nem quais são os seus maiores sonhos ou medos. Sequer sei em que tempo você está lendo, qual sua realidade, mas trago pra você algo que, independente de tudo isso, tocará sua pessoa.


Sou um tipo de pessoa, talvez um pouco psicopata, que busca conhecimento a um tanto inimaginável, mas nem sempre consigo me saciar, pois minha mente trabalha numa velocidade que meu ser não consegue acompanhar.


Ela fervilha a cada instante com ideias que mudariam o mundo, com desejos que às vezes me levariam a danação eterna, com palavras que fariam fariseus da atualidade se prostrem diante de um Deus que eles achavam seguir corretamente.


Ainda assim, com tudo isso passando a cada instante na minha mente, eu não sou nada nem ninguém, pois não sou digno.


Só sou mais um pecador que vive na certeza de merecer um inferno, mas na busca constante de um céu, junto a um Deus que é desconhecido por tantos, mas que eu acredito e cofio a ponto de dar minha via em seu nome e em nome de seus pequeninos.


Fácil dizer essas palavras, muitos dizem. Mas eu gostaria muito que todos que dizem essas coisas realmente as vivenciasse, o mundo seria bem melhor.


Infelizmente nos deparamos com maus Cristãos que fazem de sua vida algo publico para se mostrarem melhores que outros.


Esse tipo de coisa me revolta de uma maneira que é como se meus pensamentos só se focassem em pegar esse tipo mesquinho de pessoas e esfola-las em alguma parede, pra ver se assim a ficha delas caem, e elas possam perceber que não somos nada aqui nessa terra, nada além de passageiros que em breve terão um fim, muitas vezes sem aviso prévio.


Vivi em meio a Igreja Católica por toda minha vida, me decepcionei com tudo e com todos. Mas nunca desisti de minha fé.


Por anos participei de instituições de caridade que, em hipótese, tinham como objetivo ajudar o próximo, fazer o bem sem ver a quem, mas na prática em meio aquelas pessoas eu só me sentia mais longe ainda de um céu que sempre pareceu e ainda parece inalcançável para mim.


A cobiça por poder, o dinheiro e cargos valiam mais do que mendigos famintos nas ruas. E quando me afastei para poder repensar em minha vida, saí vaiado, taxado como alguém que abandonou o barco, pois meu mandato havia terminado e meu poder acabado.


Cargos não fazem pessoas melhores ou piores, cargos só fazem com que quem os tenha, tenham uma maior responsabilidade sobre as coisas.

Às vezes minha boca se enche para responder a essas pessoas, mas me calo para não pecar. Saí, pois recebi o convite de ter um cargo acima do que o anterior, mas eu não estava preparado, e ainda hoje não estou.


Se algum dia eu quiser ser alguém com cargo, com responsabilidade, com “poder”, antes tenho que ser nada.


Tenho que viver minha pequenez, para que se algum dia acontecer de portas se abrirem para mim, eu governe com humildade, para que eu não me torne hipócrita, para que eu saiba que assim como todos os outros do mundo eu nasci do pó e para o pó voltarei.


Afastei-me, me dediquei a um ministério do grupo de jovens da minha Paróquia que era praticamente desconhecido, onde eu podia dar cada minuto de minha vida às obras de Deus, cativando jovens a se converterem.


E depois de anos, não reconheceram meu trabalho, me impediram de servir, então me afastei. Talvez o humano que sou tenha gritado mais alto, porém, aquele grupo e aquelas pessoas já não estavam mais agregando conhecimento algum a minha pessoa.


Depois de dois anos afastado da catequese de Crisma, voltei a catequizar. E hoje me localizo em meu lar.


A pessoa que sempre me apoiou foi à mesma que por alguns meses me auxilio a montar aulas de Crisma, modéstia parte, as melhores que já vi.


Porém Deus o chamou, pra mim talvez o tenha chamado cedo de mais. Eu particularmente não estava pronto para não tê-lo mais perto de mim, dia pós dia.


Caio José dos Santos era seu nome. Não mais um amigo, um irmão.


Convivi com ele por cerca de um ano, foi o suficiente para que eu me apaixonasse, ou melhor, para que eu o amasse. E ainda o amo, mas às vezes é difícil aceitar sua ausência.


Como já disse, vivi minha vida todo dentro da Igreja Católica Apostólica Romana, sou conhecedor de um Deus Uno e verdadeiro. Mas ainda assim o humano que sou grita mais alto, a dor que sinto me sufoca às vezes e o que me resta é chorar.


Sei que me encontrarei com ele de novo algum dia, mas Deus poderia ter o deixado um pouco mais aqui.


Nunca vou me esquecer das madrugadas ao lado dele, onde muitas vezes comprávamos pães e mortadela para poder entregar aos moradores de rua, tudo em segredo do resto do mundo. Afinal ninguém precisa saber o que fazíamos, Deus via e já era o suficiente. E o suficiente para nós era ver aqueles sorrisos, muitas vezes não tão bonitos, mas sempre sinceros. Sorrisos estes que preenchiam nossas almas.


Ainda hoje vejo esses sorrisos, mas falta algo. Ele nunca mais estará ao meu lado, não de corpo, como eu gostaria que estivesse, mas em alma, sei que ele sempre estará.


Acho que eu nunca havia sentido saudades, e preferia ter continuado assim por mais longos anos.


Menos de um mês antes do Caio partir, meu avô se foi, Evaristo Matioli. Grande homem, mas nós já esperávamos que ele falecesse em breve, 84 anos não é pra qualquer um.


Foi difícil a morte dele, mas a do Caio, meu querido irmão que tinha o apelido carinhoso de Brigadeirão, não, essa morte não foi difícil, agora está suportável a dor, mas antes, antes foi inaceitável sua partida.


Hoje em dia ainda me parece que os dias amanhecem sem cor, sem vida, é como se nada mais tivesse sentido.


Resta-me escreve a respeito de uma amizade, de uma vida, de um irmão que jamais pertenceu a esse mundo. Escrever sobre um anjo sem asas que veio para trazer alegria e conhecimento, e depois partiu, partiu sem dar avisos prévios. Simplesmente partiu deixando um grande vazio na minha vida e na vida de mais uma multidão de pessoas.


Em momentos de revolta era ele que me ouvia, era ele que me entendia, era ele que me dava os melhores conselhos, era ele que me ensinava mais e mais a respeito da nossa fé, era ele e sempre ele, mais ninguém.


Meu anjo que nunca mais voltará. Agora nós que estamos indo no caminho de encontro com ele, sem saber em que momento no veremos novamente.

Vamos lá... A vida não pode parar por nossa conta, Deus sabe nossa hora, então vamos viver até que eu tenha o privilegio de encontra-lo de novo.



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